sábado, 29 de novembro de 2014

Sopa de Cenoura com Laranja

E depois de tanto encher o saco do namo para experimentar uma receita de sopa, finalmente fizemos a deliciosa sopa de cenoura com laranja do livro novo que comprei (sim, mais um... acho que prefiro livros de receita que bolsas rs). Deu muito certo e acho que é a sopa mais gostosa que já fiz. Até o namorado, que ajudou no preparo mas ficou o tempo todo gorando para dar errado, elogiou e repetiu... Tcharaaaaaaan:


Ingredientes (3-4 pessoas):
- 500 g de cenoura descascada e ralada
- 150 g de batata descascada e ralada
- 4 cm de gengibre fresco descascado e picado em pedacinhos pequenos
- 2 colheres de sopa de azeite de oliva
- 1 litro de caldo de legumes
- 1 laranja
- 100 g de creme de leite ou requeijão (Schmelzkäsezubereitung)
- 1 pitada de curry
- sal, pimenta, 1 pitada de açúcar
- 1/2 colher de chá de tomilho desidratado
- salsinha

Preparo:
Esquente o óleo e frite a cenoura, a batata e o gengibre. Jogue o caldo de legumes e cozinhe os legumes por 15 minutos na panela tampada. Descasque a laranja (tirando toda a casca, até a parte branca), separe os gomos e pique-os em pedaços pequenos (cada gomo em 3 ou quatro partes). Adicione à sopa e cozinhe mais um pouco. Com um mixer transforme a sopa em um creme homogêneo. Tempere com o creme de leite, sal, pimenta, tomilho e açúcar. Misture bem. Na hora de servir polvilhe com salsinha (lavada e picadinha). Coloquei parmesão ralado por cima e também ficou bom... bom apetite!!

sábado, 22 de novembro de 2014

Extrema direita

Já li opiniões controversas sobre o tema preconceito na Alemanha... agora é a minha vez de compartilhar minhas experiências.

Quando vim pra cá em 2009, estava um pouco insegura (principalmente pq meu pai falou muito para eu ficar atenta com relação ao preconceito e nazismo). Depois de uns 5 meses morando em Mannheim (uma cidade muito internacional) me sentia livre, leve, solta, segura. Nazistas?? De onde tiraram essa idéia?? Para mim isso parecia coisa do passado... até eu passar por uma experiência nada agradável (no mesmo dia em que tinha decidido prolongar minha estadia em mais 6 meses):

Segunda feira, 22 h, eu e mais 2 caras em uma estação no centro da cidade perto da estação central. Eles tinham a cabeça raspada, tatuagens no pescoço, "cara de nazista". Eu estava parada, quieta, enquanto eles me encaravam. O primeiro começou a falar comigo:

- Eii mocinha, de onde você é?

Não respondi, ele não parecia ter boas intenções. Ele insistiu:

- Fala pra gente de onde você é.. Que língua você fala??

Ao não obter resposta perguntou em inglês. O outro disse (ou melhor, gritou) em alemão:

- Eu sei que você entendeu a pergunta... Você sabia que nós odiamos estrangeiros?? Nós gostamos de estrangeiro para uma coisa... para bater. Da última vez batemos tanto em um que ele quase morreu! (e riu histericamente, totalmente psico o cara!)

Chegaram mais perto, meus olhos cheios de lágrimas... medo, muito medo.

Um grupo de pessoas "normais" chegou no ponto junto com o tram (Straßenbahn). Eles pegaram o mesmo trem que eu. Me sentei longe e fiquei torcendo para que eles não viessem atrás de mim. Eles desceram um ponto antes do meu. Corri pra casa. Chorei como se não houvesse amanhã. Medo, que sensação horrível. Pensei seriamente em voltar para o Brasil e nunca mais voltar.

Depois disso conversei com algumas pessoas sobre o assunto e descobri que muitos estrangeiros passaram por situações humilhantes aqui. Uma brasileira negra foi ofendida por uma criança alemã em uma loja: "O q vc está fazendo aqui, seu chocolate idiota?", um amigo indonês recebeu guardanapos sujos na cara seguidos de: "Sai daqui, seu estrangeiro de merda", e por aí vai.

Alemães "puros" de gerações mais antigas (da época da guerra) muitas vezes ainda tem preconceito e passam isso para os mais jovens. Também existe a associação do aumento da criminalidade com o aumento de imigrantes, o q fortalece o preconceito contra estrangeiros em geral (inclusive os de bom coração e trabalhadores, como eu).

Também tenho que admitir que muitos alemães são abertos e curiosos. Ficam felizes com a mistureba aqui na Alemanha e ajudam no q for preciso. A maioria desses alemães já viajou bastante ou tem estrangeiros na família...

Acontece que o movimento de extrema direita vem aumentando cada vez mais. Quanto mais internacional a alemanha fica, maior a resistência contra a imigração e contra os imigrantes. É um assunto muito delicado que merece e ganha cada vez mais atenção.

Sei que muitas pessoas só tiveram experiências positivas (e desde 2009 nunca mais passei por nada parecido), mas acho importante que as pessoas saibam que o nazismo na Alemanha existe sim. Para os que tem dúvidas, leiam reportagens sobre as passeatas do dia 1. de maio (dia que eu evito sair na rua). Aqui uma lembrancinha a caminho do trabalho, ontem:


Mas nada de pânico, a chance de te acontecer algo ruim aqui por você ser estrangeiro é muito menor que no dia a dia no Brasil...e se a situação ficar crítica, sempre temos para onde voltar ;)

Bauernsalat

E depois de ter comido o bolo de cenoura com amêndoas em dois dias (só eu e o namo, sente o drama), fiquei com muito peso na consciência e resolvi fazer salada de almoço no domingo na esperança de compensar o crime anterior... Ficou muito gostosa e por isso vou compartilhar (mas não matou a fome e acabamos comendo de novo poucos minutos depois rs).

Ingredientes (2 pessoas):

- 200g de tomates
- 250 g de pepino
- 1 cebola roxa
- 150 g de pimentão verde
- 50 g de azeitonas pretas sem caroço
- 2 colheres de sopa de azeite de oliva
- 1,5 colher de sopa de vinagre
- sal e pimenta à gosto
- 100 g de queijo de ovelha (queijo feta)
- 1/4 de colher de chá de óregano desidratado
- salsinha
- "paprika" em pó

Preparo:

Lave o tomate e o pimentão, descasque o pepino e a cebola. Pique o tomate em 8 pedaços (na forma de gomos de laranja), o pepino em rodelas, o pimentão em tirinhas, as azeitonas ao meio e a cebola em rodelas bem finas, coloque tudo em uma tigela grande. Misture o azeite, o vinagre o sal e a pimenta em um potinho ou copo para fazer o molho da salada. Jogue sobre os legumes picados e misture bem. Pique o queijo feta em quadradinhos e jogue sobre a salada. Pique a salsinha (bem pequeno) e espalhe a salsinha, o orégano e a paprika em pó sobre a salada. Misture tudo e sirva:



domingo, 16 de novembro de 2014

Bolo de cenoura com amêndoas delícia

Yessssssssssssss, eu finalmente acerteiiiii! Depois de decepcionar o namo com um bolo de cenoura vegan um tempo atrás, resolvi tentar mais uma vez. Em um dos meus mil livrinhos de receita tem uma receita que achei simpática e ontem coloquei as mãos na massa (ou melhor, a batedeira). Ficou M-A-R-A!

 

Ingredientes:

- 4 ovos
- 200 g de açúcar
- 300 g de cenoura ralada
- 100 g de farinha de trigo branca
- 25 g de farinha de trigo integral (ou mais 25 g de farinha branca)
- 300 g de amêndoa ralada (em pó)
- 1 colher de sopa de fermento em pó
- 30 g de manteiga
- 1 pitada de sal

Preparo:

Separe as gemas das claras. Bata as claras em neve com uma pitada de sal (com a batedeira) e reserve. Misture as gemas com a manteiga e o açúcar, peneire a farinha e o fermento sobre a massa e misture novamente. Adicione a cenoura e a amêndoa, misture. Agora adicione a clara em neve aos poucos, sempre mexendo cuidadosamente com uma colher. Quando a massa estiver homogênea, espalhe em uma forma untada e asse a 175°C por aprox. 40 - 60 minutos. Não colocamos cobertura pois ficou bem docinho mas pode colocar um brigadeiro por cima rs... Combina muito com chá no café da tarde!

sábado, 15 de novembro de 2014

Raizes desconhecidas

Meus pais sempre nos explicaram que na nossa família (como em muitas famílias brasileiras) tem de tudo. Enquanto alguns dizem "sou descendente de alemães", outros são descendentes de poloneses e italianos. Agora quando alguém me pergunta sobre a origem da minha família, a resposta é um pouquinho mais longa: "hmmm italianos, espanhóis, portugueses, índios, africanos... e segundo minha vó tem alguns austríacos no meio também...".

Bom, "kein Wunder" (nenhum espanto) que tenho parentes ruivos, negros, loiros, uma irmã de olhos claros e cabelos cacheados, outra parecida comigo mas muito mais desbotada... garanto que tem gente para todos os gostos. Acontece que depois que vim para a Alemanha, descobri que não pareço brasileira, italiana, portuguesa ou sei lá mais o q.... aqui todo mundo acha que sou turca (EEEEEee!! #sqn). Nos primeiros anos em Mannheim (a segunda cidade com o maior número de turcos depois de Berlin) fui abordada inúmeras vezes na rua por turcos e em turco. Na época pensei: "aaa Lívia, vc nem se parece tanto com eles... é "só" a cor da pele, do cabelo, dos olhos e a quantidade de pêlos". Também achava que como estava no antro da comunidade turca fora da turquia, as pessoas assumiam que eu era turca sem muito fundamento e sem pensar muito a respeito ("ela não parece alemã, logo deve ser turca").

Ao me mudar para uma vilinha no coração da Schwabenland só fui abordada em turco uma vez (provavelmente pela única pessoa turca que morava lá) e esqueci que talvez (e só talvez) eu pareça turca. Não pesquisei mais sobre minhas origens e esqueci o assunto...

Em abril desse ano finalmente tive a oportunidade de viajar com minha querida e amada irmã e um dos nossos destinos foi a.... adivinheee.... Turquiaaaaa! Fiquei um pouco preocupada por sermos mulheres e pesquisei bastante sobre como se comportar para não chamar atenção. Conversei bastante com minha irmã (que tem o maior sorriso e a risada mais alta e gostosa do mundo) para que ela também tomasse cuidado e lá fomos nós: duas mulheres jovens passeando desacompanhadas em um país mega conservador... sehr gut (muito bom) Lívia.

A surpresa positiva (pelo menos para essa viagem): eu descobri pq todo mundo acha que sou turca... eu realmente pareço uma turquinha, minha gente! Se não fosse minha irmã (branca, sorridente, com pernas e uma bunda grande usando uma legging muito justa), não teria sido abordada nenhuma vez durante a viagem. Eu entrava nas lojas e restaurantes e era atendida em turco... pena que não sabia responder! Ninguém olhava pra mim nas ruas (como se eu fosse um deles). Encontrei minhas raízes e me senti até na obrigação de tirar uma foto vestida à caráter em Istambul:


Agora que voltei para Mannheim, já fui abordada mais de uma vez em turco, fiz uma inimiga turca no ponto de trem (que tentou conversar em turco comigo e ficou brava pq respondi em alemão) e estou pensando seriamente em aprender a língua para evitar mais desentendimentos com os meus "conterrâneos".... É, acho que meus pais me engaram a vida toda!

domingo, 9 de novembro de 2014

Um jornal ou um doce?

Às vezes (bem às vezes) fico orgulhosa de mim mesma... sexta passada (31.10.) foi um dia desses. Lá estava eu, feliz e contente por ser sexta feira e hora de vir para Augs ao encontro do namo, mas ao mesmo tempo muito entediada por ter que esperar uma hora na estação até meu trem chegar. A pão dura aqui compra tickets com meses de antecedência para pagar mais barato e pega sempre horários tardes por segurança (nunca se sabe o q vai acontecer no trabalho ou "allgemein"). No fim sempre acabo ficando uma hora à toa na estação de trem.

Bom, quando eu fico com tédio (e não estou em um ambiente onde posso fazer exercícios ou dormir, como por ex. em uma estação de trem), apelo para meus queridos amigos doces. Pode ser uma barra de chocolate de "apenas" 300g ou um mega pedaço de bolo (de preferência com recheio e muito chocolate por cima). Acontece que dessa vez eu fui de uma confeitaria/padaria para outra e nada me apeteceu. E agora, como passar meu tempo sem gastar muito dindin? (pq em uma crise dessas já comprei um livro fenomenal, mas bem carinho) E nesse momento tomei uma atitude nada "Lívia de ser" mas muito madura, eu comprei o meu primeiro jornal!! Me julguem se quiserem, mas aos 28 aninhos eu nunca havia comprado um jornal na minha vida, fato. E eu sou tão intelectual que nem comprei Bild (para quem não sabe, a Bild é tipo a "tititi" dos jornais, bem baixo nível mesmo), mas sim Süddeutsche Zeitung‎.

Fui toda feliz para a plataforma passar frio e descobrir como se dobra (ou não) um jornal. A viagem de três horinhas passou voando e eu fiquei um pouco menos alienada (pq né, não tenho nem internet nem TV durante a semana e durante o fds aproveito o tempo com o namo, logo não sei de nada do q acontece no mundo atualmente). Um orgulho! E vem tanta informação no jornal que tive material para ler a semana inteira (nem acredito que tem gente que compra jornal todo dia, não dá tempo de ler, impossible!).

Essa sexta feira estava mais uma vez na minha querida estação de todos os fins de semana e entrei na mesma crise de tédio... mas dessa vez acabei escolhendo o doce mesmo (eita Käsekuchen delicioso do Yorma!). Conclusão: o doce acaba mais rápido que o jornal (se durou 5 minutos foi muito). Solução: um pacotinho de salgadinho chips "de sobremesa"...

É Lívia, você não tem salvação mesmo (semana que vem tento ficar com o jornal, juro!).

Beijinhos

Pq festa de aniversário sem beijinho e brigadeiro não tem graça...

Ontem um brasileiro resolveu fazer uma festa surpresa para a namorada (também brasileira) e pediu para a "máfia" brasileira aqui da cidade dar suporte. Eu me ofereci para fazer beijinhos (fácil e rápido, minha cara). Até teria me oferecido para fazer brigadeiros também, mas juro que nunca consegui acertar o ponto com o leite condensado da Alemanha. Compartilho aqui a receita mega prática, não tem como falhar!

Ingredientes (33 unidades):

- 1 lata de leite condensado
- 1 colher de sopa de manteiga (de preferência sem sal)
- 3-5 colheres de sopa de côco ralado (mais ou menos "coquento", vai de gosto)
- 1 gema peneirada
- côco para polvilhar
- 33 cravos da índia para enfeitar (opcional, nem todo mundo gosta do cheiro e do gostinho que ele deixa)
- 33 forminhas

Em fogo médio misture o leite condensado, a manteiga, a gema e o côco. Mexa devagar até obter uma massa homogênea. Abaixe o fogo e continue mexendo (rápido para não queimar ou formar pelotes). Quando não aguentar mais mexer e a massa estiver desgrudando da panela (arraste a colher no fundo, se a massa estiver no ponto dá pra ver o fundo da panela por um tempo), desligue o fogo e coloque a massa para esfriar. Se estiver fazendo 5°C lá fora e estiverem renovando seu prédio, coloque a panela no andaime na frente da janela da sala que esfria rapidinho :P


Quando a massa estiver morna/fria, molhe as mãos para que a massa não grude e paça bolinhas de aproximadamanete 3 cm de diâmetro. Passa no côco e coloque em forminhas, voilà:



Fiz três receitas (um cento bzw. quatro pratinhos desses da foto) para 10 pessoas. Como tinha muita comida (e beijinho é muito doce), sobrou metade. Fica a dica de quantidade para quando fizerem para alguma festinha (que não tenha só beijinhos para comer ou crianças, claro).

domingo, 2 de novembro de 2014

Enganando... pode isso produção?

Já faz um tempinho que fomos convidados para uma feijoada na casa de uma baiana original. Aceitamos e, como somos pessoas educadas e finas (#sqn), resolvemos levar algo em agradecimento. O problema? Geralmente sou eu quem cuida desse tipo de tarefa e ontem foi feriado (eu nem lembrava). Uma amiga do trabalho me disse na sexta: "não esquece que amanhã é feriado e vai estar tudo fechado hein, tem que fazer compras pro fds hj...". Peguei o tel e fui lembrar o namo de comprar algo para a nossa anfitriã de sábado (eu estava no trabalho). Uma coisa que quase nunca tem erro é chocolate, então falei para ele comprar uma caixa de algum chocolate bom e bonito (tipo Lindt). Acontece que ele só passou no Norma (Discounter, supermercado barato) e me comprou uma caixa de chocolates suíços da marca "pobre", muito bonita por sinal:


Nada contra os produtos de Discounter, eu vivo deles, mas é o tipo de coisa que não se pode dar de presente, pelo menos não para pessoas que moram na Alemanha e conhecem as marcas (e as "não-marcas" também). Como eu cheguei quase dez da noite aqui em Augsburg e só fiquei sabendo dos chocolates nessa hora, não dava mais tempo de arrumar a situação. E agora, o q fazer ou o q levar de presente??! Em casa não tinha nada...

Aháááá, a boa idéia da vez: reembalar os chocos em uma embalagem bonitinha e sem marcas. Aproveitei o kit de caixas D.I.Y. que comprei algum tempo atrás e colocamos mãos à obra. Os chocolates baratos e sem marca se transformaram em chocolates caseiros feitos com amor:


Experimentamos os seis chocolatinhos que não couberam na caixinha nova para desencargo de consciência. E não é que eles são deliciosos?? O resto do sentimento de culpa e enganação passou e fomos felizes e contentes para a feijoada brazuca... Também levamos uma Cava da Freixenet e um bocado de fome. E agora sabemos "o q é q a baiana tem", oooo feijoada deliciosa!