quinta-feira, 24 de março de 2016

Trocando por coroas

Poucos minutos antes do banco fechar no dia anterior da viagem, a esperta passa no banco para trocar euros por coroas suécas (pq a bonitinha nem sabia da viagem faz mais de mês né...).


O banco: Nós não temos coroas suécas aqui, o pedido deve ser efetuado com no mínimo dois dias úteis de antecedência... sinto muito.

Livia: Ixi, viajo amanhã seis da manhã... posso sacar o dinheiro com meu cartão de débito lá?

Meu banco: Pode...

Livia: E como faz?

Meu banco: Como assim?

Livia: Preciso desbloquear o cartão ou ele já funciona?

Meu banco: Aaaaa quer desbloquear?

Livia: Sim por favor.

Meu banco: Pronto.

Livia: Paga taxa?

Meu banco: Em todos esses bancos deste folheto que estou te dando não..

Livia: E tem qual deles em Estocolmo?

Meu banco: Acho que nenhum...

Livia: Tá, então quanto pago para tirar dinheiro em algum banco que tenha lá?

Meu banco: Não sei, mas você pode pagar com o cartão de débito, é muito comum na Suécia e aceito até nas padarias para valores pequenos...

Livia: Aaaa que bom, e tem taxa?

Meu banco: Tem sim...

Livia (já sem paciência): E quanto é por favor??

Meu banco: Aaaa é carinho, na verdade não vale muito a pena para valores pequenos... mas para pagar o hotel e alugar carro etc. vale a pena!!

Livia: Mas a senhora não sabe quanto?

Meu banco: Teria que verificar, mas no mínimo 1,50 euros por transação mais a taxa em cima do valor da compra de 1,5%...

Livia (indignada): Obrigada, sabe onde encontro outro banco onde possa encontrar coroas agora?

Meu banco: Talvez o Reisebank na estação de trem ainda esteja aberto...


Lívia correu para a estação, comprou as coroas por um "pequeno" absurdo e aprendeu a lição: está na hora de mudar de banco URGENTE.

Agora me deixa que preciso empacotar a mala e ir gastar essas coroas :)

domingo, 13 de março de 2016

Acidente (de trabalho?)

Bem mesmo a minha cara criar polêmica no trabalho (no Probezeit)...

duas semanas atrás fiz uma viagem à trabalho para um treinamento de três dias. Éramos 16 participantes do mundo todo, todos funcionários novos (ou na empresa ou na função) e o objetivo era aprender mais sobre os nossos produtos com exercícios e demonstrações práticas.

Antes do treinamento recebemos a agenda com a programação e foras as atividades diárias, marcaram para o segundo dia um team event das 17:03 até 19:30: Indoor-Karting.

Nunca havia brincado e ao ver aqueles carrinhos, lembrei de bate-bate (e para ser sincera aquilo me pareceu bem inofensivo). Apesar de odiar dirigir, fiquei super animada. Coloquei minha roupa de fórmula de um (capacete com aquele pano por baixo e overall, corri para o meu carrinho, apertei o cinto (que é só uma tira de pano na cintura) e pisei no acelerador sem medo de ser feliz. Minha dica: não imitem, tenham medo (ou pelo menos um pouco de respeito).

A pista era bem difícil e como sou leve, o carro acelerava mais do que eu planejava... nas curvas era um derrapa pra cá e derrapa pra lá que parecia que iria voar. Fui andando e brincando (adrenalina à mil) e era a mais devagar da turma (um bando de homens pilotos por paixão). Para eles eu era um obstáculo a mais no trajeto. Sentia uma pressão constante por estar "devagar" (35 km/h foi minha velocidade média da volta mais rápida) e estar atrapalhando mas mesmo assim estava curtindo. 15 minutos depois do começo da brincadeira a graça acabou.

Antes de uma curva de 180° um infeliz veio me ultrapassar. Fiquei nervosa e provavelmente ofegante pq meu óculos embaçou completamente e não conseguia ver nada. E o q se faz quando não se enxerga?? Se freia, certo? Errado! A sem noção aqui (no desespero) enfiou o pé no acelerador com tudo e foi de frente com uma parede (muito muito muito rápido).

Uns segundos depois do choque levantei a mão (ainda sem enxergar nada) e pedi para me tirarem da pista). Estava totalmente em choque, com tudo amortecido, com um pouco de sangue na boca, mas não sentindo dores (na verdade não estava sentindo é nada). Fiquei um tempo lá fora para acalmar e até cheguei a dar umas voltinhas devagar depois para não estragar o clima e a brincadeira da galera.

Uma hora depois fomos para um restaurante e aí o bixo começou a pegar. Minha mandíbula começou a ficar roxa, minhas pernas e meu punho direito começaram a doer. Ainda fomos para um barzinho (onde fiquei até uma da manhã) e ao chegar no hotel, minha mão direita estava tão inchada que parecia um pão que cresceu demais. As duas coxas estavam roxas. Não dormi de dor.

No dia seguinte o treinamento continuou e eu não conseguia mexer a mão direta (detalhe: sou destra). Passei o dia todo só assistindo ao treinamento e no fim do dia (era uma quinta feira) voltei para a Alemanha.

No dia seguinte no escritório tive que explicar umas 40 vezes pq meu queixo estava azul/roxo, pq não estava usando a mão direito e pq quase não virava a cabeça (minha coluna/nuca estava doendo bastante). Meu chefe teve um treco: "COMO  VC AINDA NÃO FOI NO MÉDICO???!!!" e me mandou para o médico da empresa pois disse que era acidente de trabalho. O dia todo a discussão em todas as rodinhas era: acidente de trabalho ou não?? Eu só queria resolver a situação e ter certeza que não perderia nehum dente e que não tinha quebrado o punho.

O médico da empresa me encaminhou para um ortopedista cirurgião especialista que tirou um raio-x, me avaliou, prescreveu ibuprofeno e reclamou horrores da empresa por fazer esse tipo de atividade perigosa. Saí de lá com a mão enfaixada e com o aviso que as dores poderiam piorar e que nessa caso ele me daria licença (por sorte ficou por isso mesmo).

A discussão se foi acidente de trabalho ou não continua (recebi um email do RH e do sindicato no fim dessa semana), agora vamos torcer para que não decidam se livrar de mim.... e eu aprendi a minha lição: no próximo evento vou é ficar quietinha assistindo e tomando meu suco de maçã!