sábado, 4 de março de 2017

Viva após 1.350 km

Começando com um fato: é impossível alguém ser mais barbeira que minha pessoa e ainda estar viva... eu não nasci para dirigir, ponto.

Independente disso, eu tenho uma carteira de motorista alemã (não sei até hoje como passei na prova).

Ainda estou no período de experiência da carteira, que dura dois anos (minha carteira provisória vai até outubro desse ano). Consciente da minha falta de talento, queria passar esses primeiros dois anos sem dirigir para não ter que refazer a prova ou perder a licença que me custou muitas lágrimas.

Como meu primeiro ano foi agitado (out 2015 - out 2016), Murphy me deu trégua com relação a isso e sempre que precisei viajar pela empresa estava com alguém que podia&queria dirigir.

Em outubro do ano passado, Murphy mudou de idéia... eu estava muito felizinha e emocionalmente estável então ele programou algumas viagens para testar os limites do meu coração & sistema nervoso.

Murphy até que foi legalzinho: a primeira viagem foi com uma colega que tem tanto pânico quanto eu do volante, tem menos esperiência e que elogiou como dirijo (tanto que me deixou dirigir ida e volta). Foram 400 km em um único dia, minha viagem mais longa (em um dia de sol maravilhoso com boa música e boa companhia).

Mas Murphy não deixou barato, resolveu que eu teria que viajar no inverno, com neve, no escuro... logo antes do natal e das férias (pista agitada), ele literalmente preparou a combinação do capeta e por umas horas achei que não viveria por muito tempo:
- para buscar o carro foram 35 km num domingo à noite e o namo foi junto (isso sim é companheiro, arriscou a própria vida para que eu criasse coragem)
- no segundo dia foram 150 km de ida com um tempo miserável na ida (como descrito acima)... pra ajudar muita neblina e muito caminhão... e na volta (no mesmo dia) a colega dirijiu a primeira parte e eu fiquei com os 90 km restantes...
- no terceiro dia foram 100 km com o mesmo tempo miserável do dia anterior na ida (após uma noite de 4 horas de sono) e 80 km de volta (saindo do coração de München, caos caos caos)
- no quarto dia foram mais 35 km para devolver o carro e eu nem lembro de nada pq estava muito cansada (física- e psicológicamente)
Foi tão traumatizante que torci para não precisar viajar tão cedo (e até desisti da idéia de comprar um carro para economizar 1,5 horas por dia com ida e vinda para o trabalho de trem).

Bom, tive que pegar no volante novamente duas semanas atrás: dessa vez com chuva.... com MUITA chuva... e eu que achava que neve era ruim descobri que a experiência anterior nem havia sido tão do capeta assim... foram 35 km em um dia, 35 km no outro e depois consegui passar para um colega (que preferiu tomar as rédeas e garantir uns aninhos de vida para todos no carro).

E só pq não dormi por algumas noites após o trauma tive que dirigir essa semana novamente... sozinha, no escuro, com muita chuva.... 35 km em um dia, 320 km no segundo e 35 km no terceiro... e cá estou eu, escrevendo esse post... após muitas buzinadas... mas viva!

Posso brincar de "#" de novo?

#coragem
#gratidão
#nolimite
#minhahoranãochegou

2 comentários:

  1. Menina, isso é que foi coragem! Declaro aqui toda a minha admiração.

    Em relação à pergunta neste post: https://habitatpalavra.blogspot.se/2017/03/podem-tirar-rapariga-de-portugal-mas.html

    O coitado pode consumir azeite sim :)

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  2. cara, é pra aprender na marra, né?!
    eu tenho minha carteira alemä há quase 3 anos, mas os traumas da auto-escola näo se foram completamente e eu continuo odeiando dirigir. sempre que posso passo o volante pro marido... mas tem dia que näo tem jeito

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